
...por vezes dou por mim abstraído de tudo a meu redor,
tudo fica ofuscado... fora de foco ...desaparece.
e sempre penso se serei suficientemente digno e merecedor
do sorriso do meu filhote.
Quem quiser viver "o Natal, todos os dias" que vá viver p'ró ...Circushhh!!!


Continuava eu nos meus movimentos de adaptação ao precioso momento de dormir. Lá senti a minha coluna suspirar de alivio. E amávelmente me agradeceu com um formigueio bem confortável. Desejei boa noite à minha espinha, apróximei-me da face da minha flore e estampei uns “sonos da cor que mais lhe apetecer” em forma beijo. Ela retribuiu o assunto e fez-se de novo o silêncio.
Eu sabia que ela não estava a dormir. E comentei assim de sussurro...
.- Olha! ...o Tony matou o sobrinho ...o Christopher!
Ela, passado uns cinco segundos comentou baixinho:
.- Outra vez??
e eu estupefacto:
.- Outra vez porquê?? ...ele já o tinha matado??
e ela irritada:
.- Então? Não tinha? P'ra ai umas duas vezes!!...
Fez-se um silêncio, daqueles de noite mesmo, e passados uns vinte segundos soltamos, de forma perfeitamente sincronizada, uma gargalhada apagada. Daquelas para não acordar vizinhos. Risos estonteantes abafados na almofada. De tal forma “in crescendo” e contagiante que fui parar ao chão com a barriga dobrada e a almofada entre os dentes... Ela ria disparatadamente igual.
Após uns minutos, la recobramos as composturas e devidas posições de “vamos lá p'ro sono mazé”.
Passou um tempo curto. Eu contemplava a negritude e o silêncio era o amo e senhor de tudo.
Ela mexeu-se. Virou-se para mim. Chegadinha bem perto da minha orelha e perguntou muito séria. Reflectiva:
.- Olha! E como reagiu a mulher do Tony ... a “Cornélia”!!!
e eu atónito:
.- Cornélia??? ...ah! A “Carmela”!!!
Pronto! Venha daí outro “déjà vu hilariante”.

